
Desatei os nós
e visei os prós.
Corri dos contras,
e daquilo que me atrasava.
Finalmente criei a coragem que eu precisava.
Eu preciso crescer.
Não há mais o medo, não há mais o apego ao passado… Restou uma necessidade de crescer.
De independer.
Já ando me sentindo desligado de muitas coisas faz tempos, só não havia aceitado ainda. Mas acho que finalmente o tempo chegou.
Hora de largar o passado, as tentativas de reconstrução… Tudo.
Quem ficar, que fique por vontade própria. Não serei contra.
Quem foi, vá sem dizer adeus. Pois eu cansei de tentar dizer oi.
Hoje é o dia da liberdade, já estão ouvindo os sinos?
Se sou tempestade de verão, ele é garoa de primavera.
Me irrita de tão suave.
Suas palavras são sempre calmas, enquanto meus gestos são tropeços.
Grito, grito, grito e esbravejo. Ele respira, acalma, assente.
Falo sem parar e ele ouve com a paz de espírito de um monge.
Ó, existe ser tão mais calmo que ele?
Ser que me irrite sem falar nada?
Que quebre meus devaneios e meus estrondos sem ao menos um murmúrio?
Se existir, digam-no que eu já tenho meu escolhido.
Pois se gosto dele, não direi.
Mas acho que não precisa. É coisa que não se é dita.
Ele sente.
Assente.
…
E eu? Eu esbravejo.
Grito.
Berro e
Esperneio.
A lágrima escorre, pinga e molha.
O coração aperta.
Esmigalha.
Que a dor que eu sinto hoje seja o presságio dos dias bons.
Porque o choro que hoje começa,
finaliza o que deixei pra trás.
A verdade é que eu estou com medo de crescer. Não sei se estou preparado para isso, sabe? Para a vida adulta que vem por aí…
Pode ser tudo coisa da minha cabeça, pode mesmo. Mas algo dentro de mim não consegue aceitar que é só um número diferente na minha idade. Não consigo acreditar que tudo vai continuar o mesmo, que nada vai mudar e que é só “mais um aniversário”. Para mim parece que o peso do mundo está cada vez maior e a palavra “responsabilidade” se torna cada vez mais presente.
Ok, deixe minha crise boba. Sei que ela é. Mas estou com medo, e isso é o que eu sou agora. Eu sou o medo de crescer, não estou pronto. Não ainda. Ainda não perdi meus sonhos de Peter Pan e nem minha imensa vontade de fantasiar. Não quero trocar os sonhos por projetos e nem as metas por prazos finais…
Eu não quero crescer. Não ainda.